Resenha #37 "A Décima Terceira História" (@editorarecord)

A Décima Terceira História - Vida Winter, escritora reclusa, sempre se escondeu atrás de seus enredos misteriosos. Envelhecida e doente, ela decide partilhar com seus leitores os detalhes de sua vida. Para isso, tem a colaboração da biógrafa Margaret Lea, que vai ajudá-la a encarar os fantasmas do passado.



A Décima Terceira História
Diane Setterfield
Ano: 2007
Páginas: 431
Editora: Record








Oie Pessoal!

Essa resenha será um desafio! Já leram um livro diferente de tudo que já leu anteriormente? Pois “A Décima Terceira História” conseguiu tal façanha!!

Vou começar contando como o conheci, já que imagino que este livro seja desconhecido da maioria dos leitores. Vocês sabem que sempre estou fuçando no skoob, rsrs, e volta e meia encontro algum livro que desperta minha curiosidade pela capa, sinopse ou avaliação das estrelas. Este a princípio foi a capa, achei curioso um livro com outros livros em sua capa e todos com o aspecto de livros gastos, antigos, quem sabe clássicos? Depois que li a sinopse fui fisgada e ainda bem que consegui a troca, =D

Vida Winters é uma escritora muito famosa, mas que vive em total reclusão. Sendo a criadora de dezenas de romances, nunca contou a sua verdadeira história para ninguém. Sempre ao ser questionada, em alguma entrevista, sobre seu passado, criava uma nova “história” e seus leitores acreditavam em suas palavras. Isso foi acontecendo até o dia que um jornalista a questiona sobre a verdade de sua vida e Winters não conseguiu mais parar de pensar nisso.

Vida tem sérios problemas de saúde, decorrentes da idade avançada e pelo avanço inevitável da sua doença. Diante desse contexto, a mesma decide expor ao mundo suas memórias, não para qualquer jornalista, mas para a biografa Margaret.

Margaret é uma jovem que luta com seus traumas do passado e com a péssima relação que possui com a sua mãe. O carinho fraternal só foi conhecido através de seu pai, com quem trabalha em sua pequena livraria. Quando criança descobriu por acidente um grave segredo familiar: Margaret era gêmea e sua irmã faleceu ainda criança, mas seus pais nunca explicaram direito em que condições isso ocorreu e o efeito que causou em sua mãe.

Vida convida Margareth para escrever suas memórias, mas impõe condições. Exige que Margareth respeite sua forma de contar a história, que terá um começo, meio e fim. Não poderá fazer perguntas e nem ter “saltos” na história. E assim somos levados às memórias de Vida.

O leitor é apresentado a Angelfield, uma mansão habitada por moradores, no mínimo, esquisitos... George entra em depressão após a morte da sua esposa ao dar à luz Isabelle. A pobre criança passa a ser negligenciada pelo pai, sendo criada pelos funcionários da casa, até que um dia a governanta deixa a bebê à própria sorte com o desgostoso pai. Esse choque traz George de volta à realidade, mas de forma negativa, pois o mesmo passa a idolatrar a filha.

Isabelle passa a ser criada sem nenhuma regra e Charles, seu irmão mais velho, é negligenciado totalmente pelo pai. Nesse interim nascem as gêmeas Adeline e Emeline, que devido ao descontrole que existe na família, são criadas como animais selvagens.

Mas qual é a relação dessas pessoas com Vida? Será que agora ela realmente está contando a verdade? E qual a razão de ter escolhido Margareth? Será que sabe do seu segredo familiar?

Diante desse nebuloso contexto, descortina-se diante do leitor muitos segredos e verdades são retiradas de debaixo do tapete.

A autora criou um enredo que não deve ser lido às pressas, mas ser apreciado em doses homeopáticas. O desenrolar dos fatos pega o leitor de surpresa, por não ter captado o desenlace antes. 

Em vários momentos são citados clássicos de Austen e Dickens, =D

Uma trama MUITO boa! Só tenho duas ressalvas, um dos mistérios foi resolvido muito fácil por Margareth e a relação obsessiva que a mesma possui pela irmã morta. Mas mesmo assim foi a melhor leitura de 2015, até o momento.  

Livro sorteado para o projeto TBR Book Jar de fevereiro, mais detalhes clique aqui.



Quotes:
 
- Srta. Lea – disse. A voz estava mais lenta. – Tive minhas razões para criar uma cortina de fumaça ao redor do meu passado. Essas razões, posso assegurar-lhe, não têm mais valor.
- Que razões?
- A vida é adubo.
Pisquei os olhos, espantada.
- Você acha isso estranho, mas é verdade. Toda a minha vida e toda a minha experiência, as coisas que me aconteceram, as pessoas que conheci, todas as minhas lembranças, meus sonhos, minhas fantasias, tudo que li, tudo isso foi atirado sobre a pilha de adubo composto, onde, com o tempo, apodreceu e transformou-se numa matéria orgânica escura e rica. O processo de decomposição celular deixa-o irreconhecível. Outras pessoas podem chamar isso de imaginação. Eu chamo de adubo composto. De vez em quando pego uma ideia, planto-a no composto e espero. Ela se alimenta daquela matéria preta que costumava ser viva, usa a energia dela. Germina. Cria raízes. Produz brotos. E assim por diante, até que um belo dia eu tenho uma história, ou um romance
.”

A vida do escritor precisa de tempo para apodrecer antes de poder ser usada para alimentar uma obra de ficção. Ela precisa se deteriorar. Eis aí por que eu não podia permitir que jornalistas e biógrafos vasculhassem o meu passado, recuperando pedaços dele, preservando-o em suas palavras. Para escrever meus livros, precisava que o meu passado fosse deixado em paz, para que o tempo pudesse fazer o seu trabalho.”

- Vou começar do começo. Embora, é claro, o começo nunca esteja onde você pensa que está. Nossas vidas são tão importantes para nós que tendemos a achar que a história delas começa com nosso nascimento. Primeiro não havia nada, depois eu nasci... Entretanto, não é assim. As vidas humanas não são pedaços de barbante que podem ser separados do nó formado por outras vidas e esticados. Famílias são redes. É impossível tocar numa parte delas sem que o resto vibre. É impossível entender uma parte sem ter noção do todo.”

A separação de gêmeos não é uma separação comum. É como sobreviver a um terremoto. Quando se regressa ao mundo, ele está irreconhecível. O horizonte passa a um ponto diferente. O sol mudou de cor. Nada permanece no terreno que se conhece. Você está vivo. Mas não é mais a mesma vida. Não surpreende que os sobreviventes desse tipo de desastre muitas vezes gostariam de ter morrido com os demais.”

http://meuhobbyliterario.blogspot.com.br/2015/03/top-comentarista-mar15.html#.VQZnGOGfjIU



3 comentários:

  1. Queeee massaaaa!!!
    Eu querooooo!!!
    Adoooroo mistério (menos terror kkk), e esse deve ser maravilhoso!!!
    Eu acho que a Vida é a Isabelle e que é parente da Margareth,e de certo, ela fez algo ruim, e por isso saiu de casa e nunca contava nada sobre sua vida, até que decidiu contar à Margareth! kkk
    Vou marcar pra ler na minhaslistinha!!!
    bjjooos
    elvisgatao.blogspot.com

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  2. Gladys, querida, vc sabe que adoro uma trama que remexe o passado e traz segredos à tona... já tinha visto o livro no Skoob por indicação sua. Que bom que veio me contar as delícias da leitura e o quanto o livro vale a pena!
    Lembrei das histórias de família (com tapetes abarrotados de sujeira por baixo, hahaha) de Lucinda Riley e Kate Morton (vc precisa ler ambas! ).

    Beijo grande, sucesso no blog e um beijinho especial pra Heleninha. *-*

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  3. Ainda não conhecia este livro, e adorei demais sua historia. Fiquei quase sem fôlego somente de conferir sua resenha, bacana termos a oportunidade de ler algo diferente. Achei sua capa tão misteriosa quanto sua historia.Beijos

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